sábado, 1 de março de 2008

A seguir: Cenas do próximo capítulo..


Por que esperamos tanto pra fazer o que queremos?
Porque somos idiotas, oras...


Você deve saber como é isso.
Deve saber como é bancar o adulto fodão, que tem preocupações mais importantes, e se sentir um adolescente inseguro e espinhento ao pensar “no que poderia ter sido e não foi”.
Pois é, por mais difícil o velocímetro tenha zerado, é difícil esperar alguma coisa aconteça para dar um fim na história.
Mesmo que não termine do jeito que queremos, mas que termine de alguma forma.
Sem sentir dores horrendas ou profundas.
Sem deixar de viver.
Sem assistir as novelas do SBT.
Sem nem mesmo saber o que me esperava.
Demorou um bom tempo pra eu me tocar de uma coisa: as cenas do próximo capítulo eram a parte mais importante do episódio.
Que seriam elas que me fariam parar de inventar começos e procurar finais em outras histórias.
Histórias erradas, nas quais eu entrei por pura falta do que fazer.
E por covardia de viver a única que realmente me importava.
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Tadeu Silva. (Copyright2008 Todos os direitos reservados)

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008

Paraíso Provisório


Jamais conheci alguém que fosse prudente o suficiente a ponto de não se envolver, não amar outra pessoa para não correr o risco posterior da dor.
Ultimamente tenho feito a seguinte pergunta:
O seu amor é grande, imenso, infinito mesmo?
Então esqueça o que virá depois. Viaje a bordo dessa nave extraterrestre que é o amor.
É uma jornada inesquecível.
E altamente espiritualizante, às vezes surreal.
Ao descobrirmos os nossos venenos internos (orgulho, aversão, apego, inveja, etc.), devemos arregaçar as mangas e ir à procura do antídoto.
Não devemos ter tempo para sofrer, mas depois pensando bem, acho que o melhor mesmo é saber que os venenos estão lá, ter consciência deles.
O resto, o antídoto, vem com o tempo.
Para podermos lidar com o nosso sofrimento é preciso, antes de tudo, conhecê-lo. Em cada centímetro.
Seu cheiro, sua extensão, formato, tudo.
Depois, bem depois, saber por que, quais as causas que nos fazem ou fizeram sofrer.
Somos feitos de felicidade e infelicidade.
O ideal é bebermos dos dois.
A dois.
De preferência.
A dor vem depois.
Não adianta saber.
Nosso impulso é mais forte do que qualquer argumento lógico.
Somos movidos de impulsos.
Não acredito nesse mito que vislumbram homem plenamente racional.
Sou um romântico monumental.
Viva o presente e não pense na dor, que provavelmente, virá.
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Tadeu Silva. (Copyright2008 Todos os direitos reservados)

terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

PAR PERFEITO


"Era uma vez um anjo muito distraído chamado AMOREL, que recebeu uma incumbência de Deus:
- AMOREL, acabo de inventar os humanos.
Eles estão classificados como homem e mulher, cada um tem seu par e já estão todos alinhados de par em par.
Pegue esta bandeja de humanos e leve para que eles habitem a Terra.
AMOREL ficou contente pois, há muito tempo, o Senhor não o chamava para tão nobre trabalho. O anjinho pegou a bandeja e ao virar uma esquina lá no céu, trombou com uma anjinha chamada AMANDA.
A bandeja voou longe, e todos os casais de humanos se misturaram.
AMOREL e AMANDA ficaram desesperados e foram contar para Deus o ocorrido e o Senhor falou:
- Vocês derrubaram, vocês juntarão!
Porém, parece que Deus se esqueceu que os anjinhos eram distraídos.
E é por isso que a cada dia os casais se juntam e se separam.
Os dois anjinhos, trabalham incessantemente para que os casais originais se encontrem.
O trabalho é muito difícil, tanto é, que por muitas vezes eles juntam casais errados, pois os humanos espalhados ficam inquietos e cobram o serviço dos anjinhos, o tempo todo.
Quando os humanos se mostram muito desesperados, os anjinhos unem dois desesperados, mas logo depois percebem o engano e os separaram, e por muitas vezes, esta separação é brusca, pois não se tem tempo a perder.
Recebi um bilhete dos dois anjinhos e vou mandar pra você agora:
"Se você é um humano, queremos pedir desculpas pela nossa distração, pois errar não é só humano!
Estamos trabalhando com empenho, porém, sempre contando com a ajuda de vocês.
Não se desesperem mas também, não se isolem.
Tentem se mostrar realmente, quem é cada um de vocês, pois a medida que cada um mostrar o que é de verdade, vai tornar o nosso trabalho mais fácil.
Aproveitamos a oportunidade, para nos desculpar pelas separações abruptas, sabemos que elas geram muito transtorno, mas se nós o separamos de alguém, é por que em algum canto vimos alguém bem mais parecido e por isso precisamos isolá-los para facilitar o encontro."

(Desconheço o autor)

Tadeu Silva. (Copyright2008 Todos os direitos reservados)

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008

Sorria


Quando você escolher as pessoas para ter do seu lado. Amigas (os). Namoradas (os).
É vital ter por perto pessoas que sorriam e nos façam sorrir.
E então reflito sobre os relacionamentos amorosos. Eles são tão mais leves tão mais gostosos quando temos conosco alguém que traga luz exuberante dos sorrisos genuínos (Digo genuínos porque não existe nada pior que um sorriso hipócrita e fabricado).
E os relacionamentos podem um tormento quando quem está do nosso lado não sabe rir.
O ideal é termos uma não uma “palhaça” como namorada, mulher, manteúda ou o que você quiser, mas alguém que saiba sorrir.
O sorriso é uma atitude. Mostra, quase sempre, um espírito superior, de gente capaz de lidar, com dignidade e bravura, com as inevitáveis adversidades da vida.
Assim como rosto fechado e sombrio quase sempre é sinônimo de pessoas tomadas pela síndrome da vítima, a compulsão de pôr a culpa de tudo nos outros, evasão total e descarada de responsabilidade.
È aquela história: o mundo me persegue. Ninguém me compreende.
O Sorriso é, repito, uma atitude, tem que ser cultivado.
Como toda virtude, tem que ser cultivado. São absolutamente excepcionais as pessoas cuja alma já nasce sorridente. Para nós, outros, os normais, sorrir para a vida é algo é fruto de um esforço cotidiano, um treinamento incessante para não ver os fatos sob ângulos negativos.
Você sabe que uma relação está morta quando se acabam os risos.
Um romance saudável tem a estridência irresistível e espontânea das gargalhadas.
Pode acontecer que os dois tenham esquecido como dar risada. Então vale a pena o esforço de relembrar.
Mas, se você tentar devolver a alegria de uma relação que se tornou pesada e não conseguir nada além de lamúrias é melhor desistir.
Não do sorriso, não da alegria no amor, mas da relação.
Só continue se você gostar de sofrimento.
Para quem acredita que o propósito da vida e a felicidade, para citar o uma bela frase do Dalai Lama, não há saída senão respirar fundo e cair fora.
Com um sorriso de preferência.
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Tadeu Silva. (Copyright2008 Todos os direitos reservados)

domingo, 10 de fevereiro de 2008

Quando a dor acaba


A dor do amor perdido logo passa.
Mas então outra coisa dói...

Lendo “Uma frase” de Marcel Proust deparei-me com uma beleza e tristeza ímpar na qual resolvi escrever:
“Nesse nosso mundo onde tudo fenece, tudo perece, há uma coisa que se deteriora, que se desfaz em pó até a de forma mais completa, deixando pra trás ainda menos traços de si do que a beleza: a saber, a dor”.
O luto eterno que a dor, a dor da perda de um grande amor.
A gente imagina que vai morrer sem ele.
Como dói aquela ausência.
Como doía a perspectiva de não poder ter nos braços alguém que a gente imaginava ao nosso lado para sempre.
Nunca mais.
E, no entanto quando aquela dor torturadora se vai, vencida enfim pelo decorrer do tempo, o que sentimos não é alívio, mas o vazio e frustração.
É como se pensássemos: o grande amor exige uma dor eterna, um luto no coração até o último dia. Só que a dor como disse Proust, dura ainda menos que a beleza.
E então era o tempo de despedida.
Sem drama.
Compreendi com clareza que a morte da dor amorosa também pode, de uma forma estranha, doer.
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Tadeu Silva. (Copyright2008 Todos os direitos reservados)

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008

"Cindy": Sapatinho de cristal também faz calo... (e foi trocado pelo scarpin.)


Há muito tempo, numa cidade longínqua....
Será que o sapatinho de cristal fez um calo no delicado pezinho das mulheres?
Ou será que a busca pelo “Príncipe Encantado” as obrigou a fazer um “recall” do sapatinho de cristal.
(recall, para quem não está acostumado com o jargão, significa "relembrar" e refere-se a quão presente na mente, ou então revogar, reparar, anular.)
Voltando...
Hoje em dia o sapatinho de cristal foi trocado pelo Scarpin e elas, as mulheres, tem opções que variam entre verde, azul, vermelho, com motivos de onça, zebra...
- Calma Cindy, "Cinderela Contemporânea”.
Por que compensar o “Príncipe Encantado” por Fendi, Gucci ou Louis Vuitton? A vida profissional, ou então a acadêmica nos mestrados e doutorados, são mais importantes que a emocional? A dúvida é: As mulheres tornaram-se ocupadas e racionais demais?
Ou então, são os homens que buscam as cinderelas?
Na busca pelo Príncipe Encantado como par romântico, às vezes encontra-se uma pessoa que está a fim de fazer a diferença, mas algo não encaixa... altura, peso, idade, incompatibilidade financeira, e por ai vai as desculpas são cada vez mais originais.
Não adianta mesmo. O ser humano é assim, quanto mais têm, mais quer.
O problema não se resolve com uma simples saída a procura do scarpin dos sonhos, ou do objeto de desejo. Não se consegue a satisfação, nem mesmo quando acredita ter encontrado a pessoa próxima daquela idealizada, aquele pensamento: “Nunca vou poder viver feliz para sempre”, bate como o sino da meia-noite e a linda carruagem vira abóbora.
Quando a “Cindy” perdeu o seu sapatinho de cristal o “Príncipe Encantado” não foi procurá-la, permitiu que os “genéricos” o substituissem. E, para não fugirem do script, Mentiram e partiram deixando-a lançada ao chão. Porque nenhum deles fez questão de pensar na “Cindy”?
Às vezes porque as mulheres perdem tanto tempo procurando os “Príncipes Encantados” que esquecem de olhar para os lados e ver o que de fato precisam para serem felizes?.
E duro admitir que o “Príncipe Encantado” não vai chegar com o seu White Horse e entre um galope e outro presente-a-la com um ramalhete de rosas vermelhas e uma caixa de Godiva. Mas questão é: Será que todas descendem da Cinderela?
Algumas histórias acabam ficando no... Era uma vez numa cidade longínqua em que a felicidade está muito mais em aproveitar o que o hoje tem a nos oferecer, do que esperar por algo que dure para sempre.
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(Agradecimento especial pelas idéias e a revisão à Maira Itaboraí Melo, Jornalista, Amiga e Anjo da Guarda...)
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Tadeu Silva. (Copyright2007 Todos os direitos reservados)

quarta-feira, 16 de janeiro de 2008

Como lidar com a frustração?


“No dicionário, a palavra frustração é definida como “estado de um indivíduo quando impedido por outrem ou por si mesmo de atingir a satisfação de uma exigência pulsional (emocional)”.
Levando em conta esse significado ao pé da letra, eu pergunto: é pior ser impedido por si mesmo ou por outra pessoa?
Sinceramente eu não tenho resposta.
Só sei que frustrar-se é uma sensação desesperadora!
Dá um sentimento de impotência diante do mundo, da vida, dos acontecimentos, seja ela uma frustração profissional ou emocional.
A wikipédia vai além e diz que frustração é comparável à raiva.
E eu concordo. Existe algo que nos cause mais ódio do que não conquistar um objetivo?
Depois de 25 anos vividos, eu penso que ainda tenho muitas coisas para aprender. Uma delas é que se recuperar do baque de não conseguir aquilo que você tanto almeja.
Só sei que é muito difícil. E doído. E demorado.
Afinal, como lidar com a frustração?”
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Abrindo exceção, acabei postando um texto retirado do blog da minha querida amiga Manu: http://www.correiodeuberlandia.com.br/blogdamanu

sexta-feira, 7 de dezembro de 2007

Ando tão feliz!!


Já dizia o poeta, em conversa com um passarinho que chegava a sua janela:
- Se vieste aqui a procura de um verso, ide embora, não sou mais poeta, ando tão feliz!!
Muitas vezes escrevi aqui neste espaço, tão meu que não divulguei-o com afinco para ninguém. As palavras surgiam fáceis em minha mente, a inspiração brotava como gotas de suor. Um suor denso, carregado, triste. Um suor que me era praticamente roubado da pele.
Eu simplesmente deixava ele ser expelido.
Colocava para fora tudo o que estava me fazendo mal de alguma forma naquele momento. As vezes ficava um texto bom, alguns confusos demais, outros ainda, ficavam meio que ridículos, mas eu os colocava aqui, porque era algo de momento, algo que fazia sentido, ao menos para mim.
A inspiração sumiu, tão logo os meus problemas clarearam. Eu impus luz as minhas manhãs. Abri as cortinas, mesmo sabendo que o sol faria arder os meus olhos, mesmo sabendo que o calor me seria incômodo. Deixei a luz entrar no meu pequeno mundo escuro pois não agüentava mais viver na escuridão, acho que todos devemos nos dar uma chance de vez em quando.
Por enquanto, estou vivendo o lado bom desta claridade adquirida.
A felicidade não me deixa mais escrever textos tão melodiosos e sombrios.
Que posso fazer?
Ando tão feliz!!
Tadeu Silva. (Copyright2007 Todos os direitos reservados)

domingo, 2 de dezembro de 2007

Felicidade para quem?


Naquele instante eu pude perceber que algo havia sido destroçado. Ela que antes parecia gostar tanto dela, hoje mostrava-se indiferente. Monossílaba, sarcaz, era uma outra pessoa que estava alí, diante de nós. Não sei bem ao certo o que aconteceu para deixá-la tão distante, ela simplesmente mudou, trocou de personalidade como quem troca de roupa. Deu um aspecto mais comportado e sério ao seu vestuário. Despiu-se da irreverência e do belo sorriso que sempre carregava consigo onde quer que fosse e com quem estivesse. Talvez tenha lá os seus motivos, pode ter passado por uma situação que a deixou totalmente surpresa e que o tenha ferido muito. Sei lá, pode ser que ela não queira sofrer ou se machucar novamente, por isso agora só anda se puder sentir os dois pés bem firmes no chão. Impossibilita e evita qualquer chance que lhe aparece de poder voar, de ir mais além, de experimentar sem medos. Criou uma barreira que por vezes tenho a nítida impressão de que é intransponível e inquebrável. Nas poucas vezes em que sentí que eu poderia atravessá-la, encontrei uma outra sucessiva, que era ainda maior que a primeira. Ela perdeu o que havia de melhor nela, ela mesma, sem máscaras, sem novas roupagens, sem novo dicionário ou etiquetas. Talvez nem queira encontrar-se ou deixar-se encontrar novamente. Prefere fingir a sua felicidade arranjada e viver de interpretações e personagens.
Diz que está feliz, mas como pode ter tanta certeza se talvez nunca chegou a conhecer a felicidade? Quem sabe um dia ela consiga dar-se uma chance e então compreender aquilo que tantas vezes tentei explicar-lhe. Ninguém é feliz de fato até se encontrar, felicidade é algo que está muito mais além do que os nossos olhos são capazes de enxergar e a nossa mente é capaz de imaginar.
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Tadeu Silva. (Copyright2007 Todos os direitos reservados)

sábado, 1 de dezembro de 2007

Um, mas não o mesmo.


Estranha esta vida, muitas vezes nos prendemos ou nos sentimos presos e dependentes de pessoas, situações, conceitos, pensamentos, e tantas outras coisas. Achamos que tudo isso faz parte do nosso ser, da nossa personalidade, mas nos deparamos com a verdade em certo ponto de nossas vidas. Somos seres em eterna mutação, não podemos achar que somos os mesmos, o tempo passa, adquirimos novos conceitos, novas experiências. Insistimos em dizer que mudamos, mas permanecemos com a mesma essência, triste balela. Mudamos e deixamos o que fomos um dia para trás, é assim que funciona o amadurecimento pessoal. Nunca seremos iguais ao que éramos antes, a própria palavra já nos diz tudo, éramos, passado, passou, ficou para trás. Não devemos nos envergonhar de sermos mutantes, não devemos dar importância ao que os outros nos dizem, quando nos chamam de volúveis, quando nos acusam de falsidade, devemos sim ter pena desta pessoa que ainda não acordou para a verdade e que vive se enganando, achando que permanece igual ao que sempre foi. Não devemos cobrar aquilo o que não entendemos ou que não temos. Só tenho agora uma certeza...
NINGUÉM É INSUBSTITUÍVEL!!!!
E como é bom descobrir isso!
Tadeu Silva. (Copyright2007 Todos os direitos reservados)

segunda-feira, 26 de novembro de 2007

Cobradores de afeto.


É estranho como muitas vezes nos apossamos de algo que não é nosso. Como fazemos questão de um carinho, um afago, uma atenção. Cobramos isso daqueles que nos acompanham. Impomos um sentimento que nem sempre é nos dado de boa vontade. Ficamos tão cegos diante de algumas situações que não conseguimos enxergar que nos apossamos dos sentimentos alheios e nos sentimos no direito de mandar e desmandar neste. Mesmo sem a autorização de ninguém. Achamos que deve ser assim e pronto, a nossa cabeça é a nossa lei. É tão mais simples perceber que sentimento não se cobra, não se rouba, não se manipula. Sentimento se dá e quem o recebe, está ganhando algo que lhe foi confiado, que lhe foi merecido, não imposto. Vivia se enganando assim, obrigava as pessoas a sentirem o que nem sempre sentiam, recebia algo que não lhe pertencia, colhia sorrisos de rostos quem nem sempre lhe sorriam. E o que ganhava com isso? De que lhe valia possuir algo que não lhe era dado de bom grado? Não valia nada, não acrescentava nada em sua vida, muito pelo contrário, diminuía o seu ciclo de crescimento, parecia uma eterna criança emburrada, mas não havia sido roubada em nada, não haviam lhe tirado o doce da boca. Não cobre afeto de ninguém, você dará muito mais valor quando alguém lhe demonstrar carinho, porque estarão lhe oferecendo algo que você realmente merece, não por obrigação, mas por vontade própria. Não dê pernas para alguém caminhar, segure nas mãos da pessoa e a ensine a andar, não coloque palavras na boca de ninguém, mostre o melhor caminho para que esta aprenda a falar, não ordene ninguém a lhe amar, receba o que lhe é ofertado, pois será o melhor que lhe poderão doar.
Tadeu Silva. (Copyright2007 Todos os direitos reservados)

domingo, 30 de setembro de 2007

Esperança


Dedico esse texto a todos que ainda não perderam a esperança.
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Está aí algo que sempre tive: esperança. Sempre fui otimista. Por maiores que fossem as minhas dificuldades, eu sempre acreditei em dias melhores. Enfrentar meus medos, conseguir as coisas e nunca desistir (apesar de nem sempre terminar algo que começo).
Sempre tive fé, sempre tive esperança.
Dias melhores virão. "Deus não coloca fardos pesados em ombros fracos". Ele te mostra que para ser feliz por completo, ou não, é necessário passar por obstáculos, caminhos muitas vezes cheios de espinhos.
Para perceber que tudo vale à pena, ou que tudo tem seu valor.
Sabe aquela frase "Eu era feliz e não sabia"?
As pessoas dizem isso quando sentem só, ou encontram um dificuldade a qual não estão conseguindo lidar.
Muitos não sabem a quem recorrer e aí começam a perder a esperança. Todos nós sentimos necessidade de ter um apoio.
Seja uma palavra, ou uma pessoa.
Sentimos carência, não queremos viver só, nem nos sentirmos só.
Tudo se funde, é um conjunto.
Eterna vida de descobertas.
Então, se você estiver se sentindo sozinho, achando a esperança está perdida...
Lembre-se que você é único, o momento é único, faça o possível para mudar essa realidade se algo lhe incomodar.
Você não pode mudar o mundo sozinho, mas expor o que sente ou pelo menos agir e fazer a sua parte, é um ótimo começo, ou apenas a continuação.
Esperança é confiança, esperança é desejo, esperança é ser positivo, esperança é querer o melhor.
A vida pode até ser desagradável.
Mas sua vida nunca será 100% triste, nem 100% feliz.
É você quem move a sua vida.
Estamos alheios a certas “situações”, só que para mudá-las é preciso querer realmente.
E isso, tem que partir de você!
Lembre-se: "A esperança é a última que morre".
Tadeu Silva. (Copyright2007 Todos os direitos reservados)

domingo, 23 de setembro de 2007

Conta-gotas no desejo


Como é evidente a dificuldade que algumas pessoas têm para receber amor!
Algumas funcionam muito bem ao expressar o seu desejo, oferecendo-se como um ombro amigo, como fontes de elogios e presentes. São uma espécie de “satélites humanos”, ficam na órbita do ser amado, mas não se dão conta do excesso de sua disponibilidade e o que isso pode prejudicar. Ficam “over”; são muito melados e como conseqüência, afastam os seus potenciais pretendentes.
Depois de tantas desculpas esfarrapadas de suas paqueras, gera a desconfiança que o problema esteja provavelmente em si mesmos (as). Estando muito focado em suas próprias necessidades afetivas e sexuais, não percebem muito bem quem é o outro, vivendo uma espécie de cegueira em relação à necessidade alheia. Valorizam muito a pessoa e não se prestigia o suficiente. Ansiosos (as) e carentes, não sabem como equilibrar o dar e o receber.
Acredito que o melhor remédio nesses casos é aprender a ficar mais na sua. O desespero por um relacionamento só atrapalha, pois a grande arma da conquista é a sua própria segurança e “gostosura”. Por isso, tudo o que se tem a fazer é tornar-se alguém interessante, ser a pessoa pela qual você mesmo se apaixonaria e tudo isso tem a ver com o que se faz da sua vida, o que sente e pensa.
E se quer muito se relacionar com alguém, o ideal é colocar um conta-gotas no desejo. Ser generoso (a), mas esperar que a outra pessoa o presenteie também, pois é bem melhor quando é bilateral.
Segurar a carência e a ansiedade.
O importante é ter fé de que merece o Amor.
Tadeu Silva. (Copyright2007 Todos os direitos reservados)

sábado, 18 de agosto de 2007

Linha 121


Se pudesse comparar a vida com algum objeto, certamente compararia com um ônibus.
O ônibus começa a sua jornada vazio, sem ninguém, e no decorrer da sua trajetória vai enchendo.
Há momentos em que chega até ser impossível que uma única pessoa entre.
Acontece que antes de chegar ao seu ponto final, o ônibus já está vazio de novo, o que não impede que em uma outra viagem ele se preencha novamente.
A vida é exatamente assim.
Viemos ao mundo “vazios”, de conhecimentos, sentimentos e até mesmo de amigos.
No decorrer das nossas vidas, algumas pessoas entram e saem, outras não deixamos que nos conheçam, algumas que já andavam sumidas voltam para nos completar, outras nunca chegam a descer no ponto e permanecem junto a nós até o fim da linha.

Tadeu Silva. (Copyright2007 Todos os direitos reservados)

Dúvidas...


Existe coisa pior do que ter dúvida de alguma coisa?
Eu acho que não...
Ter certeza é bom.
Você age de acordo com aquilo que acredita ser certo.
Você tem certeza do que diz, do que pensa e do que faz.
Mas nem sempre isso é possível.
Às vezes a sua mente é invadida por uma enxurrada de dúvidas, e você fica sentindo-se impotente.
Às vezes as pessoas que estão a sua volta nem percebem, ou ao menos desconfiam, o que vai dentro de você. Te acham perfeito, corajoso, criativo.
Acham que porque você está sempre com aquele sorriso bobo estampado no rosto, você é sempre feliz.
Acontece que você não é feliz.
Até é, mas não como costumam “pintar” a sua imagem.
Você é tenso, desmotivado e medroso.
Convive com medos que ninguém imagina, carrega um peso que é maior do que realmente pode suportar, e se recusa em dividi-lo com alguém.
Às vezes, por alguma razão, você permite-se compartilhar um pouco da sua angústia com alguém, mas depois você percebe que não foi uma boa idéia.
Compreende que acabou destruindo a imagem que você criou em relação a você e a qual as pessoas estão acostumadas a lhe ver.
Você se dá conta de que quebrou um elo importante.
Você provou que também está vulnerável para as intempéries da vida, mostrou que não é tão forte quanto parece que também é obrigado a conviver com os seus medos, que não é tão perfeito quanto parecia ser.
Mas aí já é tarde, você não pode simplesmente retroagir em decorrência do que acabou de fazer, eles já sabem quem você é de verdade, uma farsa? Um ator?
Talvez, mas e quem não o é?
Todos nós somos obrigados a interpretar algum personagem, somos produtos da vida, produtos do meio, vendemos a nossa imagem a todo instante, gostando ou não, somos assim, um retrato que às vezes mostra-se uma cópia fiel do modelo, mas que ainda assim, às vezes sofre alterações, deixando-o irreparável e impossível de revelar.

Tadeu Silva. (Copyright2007 Todos os direitos reservados)

domingo, 29 de julho de 2007

Vida, história, tempo, problemas, alegrias, amores...


Dedico este texto a alguém que nunca entendeu o significado de uma cicatriz.


Vivemos ciclos em nossas vidas que estamos sempre superando-os ou arrastando-os conosco. Às vezes nos deparamos com fatos que nos marcam profundamente, são feridas abertas que teimam em não curar e que quando curam nos deixam cicatrizes que vão permanecer conosco até o final de nossos dias.
É como uma ferida profunda, demora a cicatrizar e passa por vários estágios.
O corte, o sangue, a dor, o curativo e a cicatriz.
Por vezes temos a impressão de que não vai sarar nunca, às vezes batemos nela sem querer e então a magoamos, e voltamos a sentir novamente aquela dor insuportável.
Nos sentimos assim diversas vezes.
As pessoas nos machucam, nos magoam, e achamos que nunca mais seremos os mesmos, que vamos sentir aquela dor para sempre, mas daí surgem novos acontecimentos, a vida segue o seu rumo e com o tempo aquela dor não some, mas diminui.
Não some porque faz parte da nossa história, não some por que já é uma parte de nós mesmos, não some porque foi necessário passar por isso, foi necessário sofrer para aprender, para discernir o bem do mau e o amor do ódio.
Não devemos evitar esse ciclo, todos têm que entender o que é sofrer.
Pode ser algo destruidor e avassalador, mas é importante passar por isso, traz aprendizado e tranqüilidade futura.
O que não devemos mesmo fazer é nos desesperar em relação aos problemas presentes, devemos tentar superá-los enquanto não for possível transpô-los, devemos ler e vivenciar a página inteira do livro de nossas vidas e não simplesmente folheá-la alheio a tudo o que ali podemos aprender.
Está doendo agora?
Vai doer mais ainda.
Você acha que nunca mais vai sentir algo assim?
Dê-se uma nova oportunidade e você verá do que a vida é capaz.
Ninguém jamais foi feliz somente abrindo as portas para a infelicidade.
O que passou foi bom, mas acabou.
Saiba virar a página sem traumas, sem medo.
Mas coloque um marcador nela, e sempre que sentir saudades volte lá e leia tudo novamente, não para deprimir-se, mas para entender que aquilo já fez parte da sua vida e para ter certeza de que é capaz de conviver com isso.
Tenha consigo uma única certeza, apesar de as cicatrizes ficarem estampadas em você, ela é apenas uma cicatriz, não mais uma ferida e não existe ferida que nunca sare.
Tadeu Silva. (Copyright2007 Todos os direitos reservados)

Pé na bunda dói, mas sara!



Não há como ser morno no fim do que, um dia, chamamos de amor: mulheres soluçam publicamente, homens choramingam para os amigos depois do porre, mas todos sofrem.
No meio da festa ou trancado no banheiro.
Não importa: o negócio é que pé na bunda dói.
Depois de lermos ou ouvirmos aquelas palavras pesadas e desagradáveis, nos perguntamos, tentamos achar uma resposta convincente; mas como terminou?
Raramente o AMOR é derrubado com um tiro só, mais fácil que seja por pequenos detalhes que deixamos de lado e achamos que é bobeira dizemos que vai passar tudo isso é uma fase, mas demoramos a notar, tamanho o costume de estar ao lado da pessoa, tamanha a necessidade de manter as coisas como estão.
Nos acostumamos a tudo - cheiros, hábitos, barulhos, gírias -, ignoramos óbvios sinais de enfermidade.
Essa é a verdade, porque difícil pra caramba assumir o fracasso de algo que construímos como o cuidado com que ergueríamos um castelo de cartas.
Assistir à morte de um amor é como assinar embaixo em um atestado de incompetência: “Eu sou um fracassado sentimental”.
Mas então puseram palitinhos em nossos olhos e fomos forçados a ver o paciente agonizando na UTI. E o vimos morrer, sem termos tempo de fazer mais nada.
E ficamos ali, sofrendo como camelos, achando que nunca mais encontraremos a tampa da nossa panela.
Ou – os mais teimosos leoninos, arianos, librianos, sagitarianos etc... - tentamos ressuscitá-los e depois de um tempo (ou dois ou três tempos, depende do grau de insistência e burrice), percebemos que não sobrou nada mesmo.
Só algumas recordações, fotos, bichinhos de pelúcia...
Daí é a hora de lavar a cara, rever os amigos, freqüentar os lugares de antes e tentar encontrar alguém que te faça rir.
Game over.
Acho que estou ficando perito em fins.
Acho que já acompanhei e tive mais fins de relacionamento que começos.
Sou passional, daqueles que escrevem laudas e laudas em louvor da “falecida”, escuto milhares de vezes a mesma musica que marcou, que choro com a cara enfiada no travesseiro, fico triste. Curto a fossa até o fim, pra nunca mais ter que voltar ao assunto.
Pelo menos aquele assunto.
Não tenho problema nenhum em admitir que sofro.
E morro de pena dos que passam à vida fingindo não se afetar com nada, nem com a visão dela indo embora.
Então acho que está na hora de pararmos de achar de que homem não sofre, não fica deprê e não se comove com recordações, isto é se for um homem digno do substantivo, tenho certeza que já gastou pelo menos um pouco a sua cota de paspalhice emocional, já que ouviu piadinhas dos “amigos” quando estava cabisbaixo por causa da “falecida”.
Ficou feliz, como um cachorro que ganha um osso, quando ela te ligou, mandou mensagem no cel, msn, orkut etc...
Numa tentativa deseperada mandou flores tentando reaver algo que já não te pertencia mais, ou quem sabe, nunca pertenceu.
Parabéns!
Você viveu, e está aí, pra me dar razão pelo menos em uma coisa: pé na bunda dói pra burro – na testa (algumas vezes), na carne (a maioria) e na alma (quando foi muito especial) – mas sara.
Sempre.
Tadeu Silva. (Copyright2007 Todos os direitos reservados)

Aqui e agora.



Gosto do pensamento essencial do zen-budismo que é mais ou menos assim: O passado já passou. Não importa mais.
Para que ficar pensando nele, para que se atormentar com o que já aconteceu?
O futuro ainda não existe. Para que se preocupar com ele, se não temos idéia de como será o amanhã? O que há de concreto é o presente.
O aqui e o agora.
Viver concentrado no presente, sem voltar inutilmente à mente para o passado nem encaminha-la também inutilmente para o futuro, é a parte da resposta para quem tentam livrar-se das aflições, ansiedades, amarguras que fazem parte da vida de todos nós.
Acho que esse jeito zen de ser teria muita utilidade na vida romântica.
Quanto tempo os casais não perdem em brigas e sofrimento por causa do passado e do futuro? Esse tempo desperdiçado poderia e deveria ser desfrutado alegremente se vivêssemos o presente, se nós focássemos em aproveitar.
Hoje você me ama e eu amo você, estamos muito felizes por ser assim.
Uma atitude baseada nesses pontos elementares traz a felicidade.
Mas o que acontece quase sempre é exatamente o oposto.
Recriminações e amarguras mútuas por coisas passadas. Preocupações muitas vezes neuróticas com um futuro que está apenas em nossa cabeça.
Então jogamos cruelmente no lixo que poderiam ser momentos de prazer.
E optamos, por força de uma mente que se agita como um cavalo selvagem, pelo sofrimento. Isso não é deliberado.
É involuntário.
Mas a dor é a mesma.
O que posso fazer para mudar? Não tenho a resposta precisa, somente alguma pista.
Talvez se diminuíssemos consideravelmente a nossa dor se procurássemos entender que tudo é impermanente.
Há tempo para nascer e outro para morrer. Há tempo para florescer e outro para decai.
Tudo que se ergue destrói.
Tudo passa.
A juventude, o vigor, o cargo, a carreira e o amor.
Isso é a impermanência.
Na tentativa desesperada de deter o que não pode ser detido, sofremos intensamente e em vão. É mais ou menos como segurar a água com as mãos.
Ela escorregará, quer você queira ou não.
Se compreendermos a impermanência e, ainda mais que isso, a aceitamos, estamos preparados para viver o aqui e agora no amor.
E em tudo mais.
O Amanhã?
Quem sabe?
E o que interessa?
Sobretudo: quem o controla?
Se não bastasse tudo isso, ele está tão distante, não é?
Amanhã você vai estar junto da pessoa que tanto ama hoje?
Você pode se atormentar com essa dúvida e estragar grandes momentos.
Ou pode apenas gozar o presente.
Experimentar a eternidade de um instante que se desvanecerá com a rapidez com que uma onda se desfaz ao chegar à beira do mar, mas cujo encanto perdurará num tocante poético desafio à impermanência.
O aqui e agora.
E então olho no espelho.
Vejo quantas coisas perdi, na minha vida amorosa, por estar preso ao passado e cheio de insegura ansiedade em relação ao futuro.
Tantas passagens que poderiam decorar gloriosamente as paredes de minha memória foram manchadas por minha capacidade de abraçar apenas o presente.
Tanta felicidade ao alcance dos meus dedos e, no entanto a opção cega pela dor, pelo medo, pelo rancor.
Sinto uma grande vontade de pedir desculpas a quem feri por não conseguir viver o aqui e agora.
Eu achava que sabia um pouco sobre o amor, pela minha vivência e pelas experiências dos que me circundam, e era um ignorante pretensioso.
Ainda sou.
Mas você só pode enfrentar a ignorância se primeiro reconhecer primeiro que é ignorante.
Reconheço.
A minha caminhada é longa e árdua.
Exige disciplina, exige esforço da mente, exige concentração.
Mas toda jornada começa pelo primeiro passo.

Tadeu Silva. (Copyright2007 Todos os direitos reservados)


Miopia Amorosa.



Uma vez um amigo me disse o seguinte: “mantenha a distância de mulheres que usem muito a as palavras ‘eu’, ‘meu’, ‘minha’.
Prefira as que falam ‘nós’, ‘nosso’, ‘nossa’ ”.
Por muitas vezes não segui o conselho do meu amigo.
E nessas vezes todas me dei mal.
Topei com mulheres egocêntricas, egoístas, para as quais pouca coisa, se é que alguma, importava além delas mesmas.
Acredito que a advertência se aplicaria perfeitamente também para as mulheres.
Fujam dos homens que despejam pela boca “eu’, ‘meu’, ‘minha’ ”. Esse tema me veio à tona depois de rever um filme ‘Um Homem de Família’ com Nicolas Cage e Tea Leoni, principalmente quando ele fala o seguinte: “Eu escolho nós dois”. Putz! Que filme, fica a sugestão, mas voltando ao assunto.
A boa relação amorosa só é boa por que os dois pensam menos em seus interesses pessoais e mais no interesse de ambos.
Não estou aqui dizendo que se deve abdicar de suas vontades.
Quando você faz isso começa a morrer, perde a sua personalidade.
O que estou propondo é que se leve em consideração às vontades dos dois.
Você tem que doar algo no amor. E a mulher tem que doar algo a você.
O grande amor, amor verdadeiro, é essencialmente solidário e altruísta.
Imagine o conflito.
Ela quer dançar. Você quer ficar em casa vendo o teipe do jogo do Corinthians.
É uma situação absolutamente normal, Banal.
Ela se complica quando nem você consegue enxergar o desejo dela, nem ela o seu.
Os dois são, nesse caso, amorosamente míopes.
E não há nada, nem uma abrasadora química que leva a um sexo extasiante, que resista à miopia amorosa.
O míope amoroso só vê a si próprio. E depois, quando as coisas não dão certo, atribui toda a responsabilidade à outra parte.
Permissão para uma digressão? Obrigado!
O míope amoroso (homens e mulheres estão incluídos nessa categoria, evidentemente) jamais limita a sua miopia ao campo do amor.
Estende a todas as atividades.
No trabalho, o chefe é sempre um tirano injusto.
E o colega, na visão parcial e distorcida dele, está sempre pronto a puxar o seu tapete.
Quando um projeto fracassa, a culpa é jamais é do míope.
O míope amoroso é o míope profissional também.
O mundo o persegue é cruel.
Reconhecer uma mulher que só pensa nela mesma é fácil.
Ela pode ser esperta o bastante para não abusar do uso do ‘eu’, ‘meu’, ‘minha’.
Mas numa conversa, quando você estiver falando de suas coisas, os olhos dela rapidamente voarão para um ponto bem distante.
Ela não prestará atenção senão no que diz respeito a ela mesma.
A mulher de vista plena, em oposição ao míope, olhará fixamente nos olhos.
Ouvirá com devoção cada palavra que você disser, mesmo que não concorde com nada.
E depois será capaz de reproduzir suas vírgulas.
Os relacionamentos são sempre difíceis, sabemos todos nós.
Mas são simplesmente impossíveis quando a seu lado está uma míope amorosa.
Aí, por mais esforço que você dedique ao namoro, por mais empenho que tenha para que as coisas funcionem, se tratará de mais um triunfo da esperança sobre a experiência.
Tadeu Silva. (Copyright2007 Todos os direitos reservados)

sábado, 28 de julho de 2007

Quem está preparado para amar?


Vontade de amar todos nós temos, mas quem está realmente preparado para isto?
Antigamente homens e mulheres não tinham muitas opções e por isto o grau de exigência era bem mais baixo.
Eram obrigados a estar dentro de um relacionamento, engoliam muitos sapos, aceitavam o destino de viver para sempre com uma pessoa, mesmo que a convivência fosse infernal, isso explica a durabilidade de alguns relacionamentos de gerações anteriores.
Mas agora tudo mudou, ficamos mais conscientes de nós mesmos, queremos mais.
Se antes o mais importante era o fato de estarmos comprometidos com alguém ou o tempo que durava o relacionamento, agora o que mais vale é a qualidade do encontro.
Questionamos as regras, a falta de liberdade, o jeito mecânico de se relacionar.
Não queremos mais nos sentir prisioneiros de relacionamentos complicados.
Descobrimos que o "felizes para sempre" era uma fraude.
Na realidade havia muita angústia, repressão e frustração.
A sensualidade e a aparência se tornaram referências de vida para muita gente.
E os que buscam o amor, aqueles que ainda querem um relacionamento com profundidade, não encontram condições para isto.
A sensação é que virou loteria achar alguém que tope se envolver de verdade.
Mas quem está preparado para tanto?
As pessoas tentam se encontrar, tentam se relacionar, mas estão bem desajeitadas.
O seu repertório de comunicação e o jeito de proceder ainda estão bastante impregnados dos conceitos antigos, que não são compatíveis com o momento atual e anulam qualquer boa vontade para amar.
Isso sem mencionar o medo de se entregar, com certeza todos já sofreram um dia por amor.
É preciso ter muita dignidade para assumir seus próprios erros, para sair da inércia, para progredir, apesar dos medos.
O comum é a falta de coragem e a acomodação.
O bonito é quando você arregaça as mangas e põe a mão na massa.
Você para de acusar os outros e concentra toda sua energia para melhorar a vida para ser feliz e assim estar preparado para amar.
Tadeu Silva. (Copyright2007 Todos os direitos reservados)