quarta-feira, 10 de março de 2010

Wicked Game...


Este texto é melhor visualizado por quem tem dois olhos e um coração. Os olhos não precisam nem ser dois, mas o coração podem ser vários. Não leia as palavras, leia minha alma. É ela que eu tenho, é ela que eu mostro, é por ela que me mostro, para não ser um qualquer sem ela. Use mais sua alma, fale mais com o seu coração. Sua alma é para ser sentida e viver dias mais belos...
Quando a gente se apaixona não dá para saber se foi pela pessoa ou pelo que projetamos nela, pela imagem dela que criamos em nossa mente e coração. Lembro que poucas vezes estudei para uma prova de filosofia no curso de arquitetura e por ter sido tão raro o fato ainda guardo as palavras de Platão que dizia: "Há dois amores, o da alma e o da carne: o da alma é eterno e divino, eterno, pois nunca se estingue, pois amor é desejo e o desejo só acaba quando é consumado, como não há forma de se ter a alma de alguém, a única forma para aquietar este amor é tendo o outro por perto sempre; em contrapartida o amor da carne é passageiro e mundano, passageiro, pois depois que os corpos se consumam e o corpo do outro perde a exuberância e o amor termina."
E para complicar ainda mais este simples e complexo sentimento que recebe o nome de amor, que é um e são dois, há também pessoas que são dois em um, são duas e não são nenhuma. Sonham com o melhor e se contentam com o pior, discursam por algo e praticam seu contrário, e assim a vida como ela é. Vou contar uma estórinha:
Era ma vez dois seres (ditos) humanos. Eles se conheceram e se apaixonaram como nunca haviam se apaixonado antes. Pareciam marcados para passar o restante dos dias juntos. Mas (tem sempre um porém ou um mas), eles tinham medo de se entregar, medo de exagerar, medo de tanta coisa que tinham até medo de temer, e, jogando entre si, não ganharam e acabaram se perdendo, um do outro, deles mesmos. É que eles só não tinham medo de jogar o jogo idiota do "amor". Aquele jogo que todo mundo joga, e por mais que você vire a caixinha por todos os lados nunca encontra as instruções e regras.
No jogo do "amor", a premissa básica é vale tudo, desde que você não seja você mesmo: não diga que está apaixonado, dizer que ama então equivale a menos cinco pontos e uma rodada sem jogar; jamais telefone quando sentir vontade; não atenda ao telefone antes de três toques e não atenda a pelo menos uma chamada por dia; penalidade máxima para mensagens de madrugada; nunca aceite dois convites em sequência; fingir ter ciúmes vale duas estrelinhas, armar um barraco equivale à lua; pareça sempre muito ocupado, para a pessoa não achar que você só tem ela na vida; invente uma terceira pessoa interessada em você, afinal você é desejado por todos; e, por fim, desapareça por uns tempos, mas não por muito tempo, porque senão a pessoa vai achar que é bipolar (está na moda, hoje em dia rs...) e também para o outro aprender a dar valor ao que um dia ele poderá perder. E perderá mesmo...
Por que não ser sincero, honesto e digno com alguém com o qual você pretende dividir a vida? Se você continuar jogando esse já fadado ao fracasso jogo, seu o dito ser humano vai trocar de time e arranjar alguém mais presente e menos cansativo para jogar. Se entregue, ame, e se errar que seja pelo exagero, nunca pela falta, pela simulação. Marque pontos, bata recordes, aposte em vocês e leve para casa o troféu raro daqueles que tiveram coragem de arriscar: O Amor.
Ou, então, continue nesse joguinho do "amor". Vá em frente sem nunca sair do lugar, seja covarde. Tenho até uma sugestão: jogue o "Resta um", pois seu destino é mesmo esse, terminar sozinha, em um tabuleiro vazio, com buracos doídos das pessoas que deixou pelo caminho.
Game Over!!!

Tadeu Silva. (Copyright2010 Todos os direitos reservados)

sábado, 27 de fevereiro de 2010

O essencial está depois do "mas"....


Bom... esqueça os elogios que costumam vir antes da palavra “mas”: eles são pura figuração. A verdade nua e crua ou o essencial da questão está sempre após o “mas” (porém, todavia, contudo, no entanto, entretanto). Tudo o que o seu agora ex-namorado quis dizer foi:- Então... você é uma mulher maravilhosa, é linda, eu te admiro muito, mas eu acho melhor a gente parar por aqui. Eu vou sempre guardar com o maior carinho os momentos que a gente passou junto, nunca vou te esquecer, mas acabou. Eu queria que tudo fosse diferente, se eu tivesse o poder de mandar no meu coração pode ter certeza de que eu ficaria com você, mas eu não te amo mais. Eu quero continuar a ser seu amigo, claro, mas acho que agora o melhor é a gente ficar um tempo sem se ver.Seu namorado senta no sofá com os ombros encolhidos, as costas curvadas e uma inédita dificuldade para te encarar. De cabeça baixa, ele esfrega as mãos. Você estranha, sente um arrepio, tem a intuição de que uma tempestade de granizo vai te pegar desprevenida. Meia hora depois, boquiaberta, você ouve o seguinte discurso:

- Acho melhor a gente parar por aqui. Acabou. Eu não te amo mais. Agora o melhor é a gente ficar um tempo sem se ver.
Se, ao levar um fora, você ouvir uma ladainha semelhante, nada de se apegar ao que ele disse antes do “mas”, porque o essencial não está lá. Tenho amigas lindas, mulheres inteligentes, independentes e que perderem anos e anos com esperanças românticas inúteis.
Ele disse que te admirava? Ele disse que te achava linda? Ele disse que tinha sido feliz com você? Esqueça isso! Para manter os pés fincados na realidade, se lembre do que ele disse depois do “mas”: o resto é miolo de pão para ajudar o espinho a descer pela garganta.
Deus me livre defender a falta de tato e compaixão, não acho que o mundo seria melhor se as pessoas fossem direto ao assunto (sobretudo se o assunto for doloroso) sem um mínimo de cortesia e suavidade. Por favor, continuem empurrando espinhos goela abaixo com fartas bolas de miolo de pão. Eu apenas suponho que haveria menos enganos se a gente se lembrasse de que o essencial está depois do “mas”, não antes dele.

Tadeu Silva. (Copyright2010 Todos os direitos reservados)

sábado, 20 de fevereiro de 2010

Amor Grand' Hotel...


A pressa faz com que pulemos etapas, nos atropela antes que tenhamos tempo de sonhar com alguém a quem poderíamos amar. E sem o sonho, se vai o desejo, e se vai o gancho inicial que permitiria a união de duas pessoas. A pressa nos leva a encontros desprovidos de alma, nos lança a trocas meramente físicas que não têm força suficiente para criar laços mais profundos...

Hoje em dia temos pressa para tudo. É fato, basta observar: os relacionamentos vêm seguindo o mesmo caminho. Não se vê mais o jogo de conquista, a sedução inteligente, a corte, como se dizia antigamente. Hoje tudo é instantâneo. A pressa em obter a posse do outro, com seu consentimento, acaba tendo efeitos que a maioria das pessoas não percebe. Por incrível que pareça, tal ânsia é como a assinatura da sentença de morte do possível relacionamento.
- Morreu, antes mesmo de ter a chance de nascer.
Ora, para que um relacionamento se estabeleça é necessário que exista desejo pelo outro, não apenas o desejo carnal, mas o desejo de estar mais próximo daquela pessoa, não só no mundo corporal objetivo, mas também na subjetividade do seu ser.
Aos que anseiam por um relacionamento cabe pensar que desejamos aquilo que não temos. É no vazio do “não ter” que nasce a semente ardente do desejo; é no vazio que se sonha com o que poderia vir a ser. Assim, é necessário que exista um espaço em branco no qual possamos derramar a nossa ideia do ser amado. Estou aqui falando da idealização, dessa fase de “imaginar” o outro, algo que necessariamente precisa acontecer para que suportemos dar início a um relacionamento. Ora, se eu não “acreditar”, nem que na fantasia de quem ainda não conhece o outro o suficiente para de fato “saber” - se eu não acreditar que aquela pessoa possa ser bacana, me fazer bem, compartilhar sonhos comigo... como darei a ela chance de se aproximar de mim?
Tudo a seu tempo!
É claro que, depois de cumprida a tarefa de permitir a aproximação inicial entre duas pessoas, a idealização precisará ser contestada, faz parte de nosso amadurecimento. Mais para frente no relacionamento, precisaremos exercitar uma visão mais realista e perceber que aquela pessoa não é exatamente o que sonhamos, precisaremos perceber quem de fato é aquele ser, por baixo das coisas que projetamos nele. E exercitar a nossa tolerância e a nossa capacidade de aceitar aquela pessoa como ela realmente é.
Mas sem essa idealização inicial, nada acontece, aceitemos isso ou não.
E para que esse primeiro passo com relação ao outro aconteça, é preciso espaço, o espaço em branco que nos permite projetar nossos sonhos e anseios amorosos. O espaço que temos quando não estamos ao lado da pessoa. O espaço que temos enquanto nos perguntamos se o outro irá ou não ligar, se irá ou não vir em nossa direção. O espaço que temos enquanto nos perguntamos se um dia aquela pessoa irá nos beijar e deitamos no sofá tentando imaginar como será o toque daquelas mãos, ou tentamos nos lembrar do som da sua voz. Esse espaço vazio no qual derramamos nosso desejo, delicioso espaço no qual sonhamos e idealizamos o ser amado.
“Se a gente não dissesse tudo tão depressa,
Se não fizesse tudo tão depressa,
Se não tivesse exagerado a dose,
Podia ter vivido um grande amor...”
A pressa, no entanto, nos rouba esse espaço. A pressa faz com que pulemos etapas, nos atropela antes que tenhamos tempo de sonhar com alguém a quem poderíamos amar. E sem o sonho, se vai o desejo, e se vai o gancho inicial que permitiria a união de duas pessoas. A pressa nos leva a encontros desprovidos de alma, nos lança a trocas meramente físicas que não têm força suficiente para criar laços mais profundos.
Na pressa vivemos tudo de forma tão crua que se torna impossível estabelecer vínculos, tudo se torna rapidamente descartável e sem sabor. Na pressa e na ânsia de ter alguém a nosso lado, selamos nosso destino solitário. Ou seja, na pressa, sem perceber, criamos desamor.
Assim, se puder, tente acalmar sua ansiedade, caminhe com mais tranquilidade e firmeza na direção do que quer. Não perca seu ritmo interno e não permita jamais que outra pessoa faça você caminhar numa velocidade que não seja também a sua.
“Qual o segredo da felicidade?
Será preciso ficar só pra se viver?
Qual o sentido da realidade?
Será preciso ficar só pra se viver?
Só pra se viver.”
To Be Continued...

Tadeu Silva. (Copyright2010 Todos os direitos reservados)

domingo, 14 de fevereiro de 2010

Candidatos/Vaga...


Bilhões de pessoas vivem no mundo.
Nem todas são felizes e realizam seus sonhos, mas uma parte delas consegue.
A gente pode se apegar ao fato das que não conseguiram e deixar de tentar ou pensar nas várias que conseguem e continuar tentando.
Ainda não há outra forma de conseguir sem ser tentando.
Acho uma grande bobagem pessoas pessimistas e que só vêem obstáculos à frente.
Quantos desistem de tantas coisas que amam porque são muitos "candidatos por vaga"?
Não buscam o emprego dos sonhos porque são muitos disputando.
São sim, mas um vai conseguir e para isso ele vai ter que disputar!
É a ordem natural da vida.
Esqueça os números e se agarre a algo de positivo.
Se você tem que acreditar em algo que seja em algo que preste.
Lute pela sua vida, não desista e sonhe: mesmo com tantos problemas que não podem ser negados, não há limite numérico mundial para a felicidade das pessoas.
Tente a cada dia fazer a sua vida e a vida dos outros um pouco mais feliz.
Não é preciso ser o primeiro lugar para ser o vencedor, há bem mais do que três míseros lugares ao pódio.
Ninguém pode ser feliz por você, então nessa relação candidatos por vaga, não faça de você mesmo o seu maior oponente.

Tadeu Silva. (Copyright2010 Todos os direitos reservados)

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Dream On...


Tentaram me fazer acreditar que o amor não existe e que sonhos estão fora de moda.
Cavaram um buraco bem fundo e tentaram enterrar todos os meus desejos, um a um, como fizeram com os deles.
Mas como teimoso que sou, ainda insisto em desentortar os caminhos.
Em construir castelos sem pensar nos ventos.
Em buscar verdades enquanto elas tentam fugir de mim.
A manter meu sorriso no rosto, sem perder a vontade de antes.
Porque aprendi que a vida, apesar de bruta, é meio mágica.
Dá sempre pra tirar um coelho da cartola, pois nada melhor que um dia após o outro e o Tempo faz as verdades.
E lá vou eu, nas minhas tentativas, às vezes meio cegas, às vezes espontâneas demais, sempre para acertar os passos.
Sem me preocupar se a próxima etapa será o tombo ou o voo.
Eu sei que vou.
Insisto na caminhada.
O que não dá é pra ficar parado.
Se amanhã o que eu sonhei não for bem aquilo, eu tiro um arco-íris da cartola.
Porque a força de dentro é maior.
Maior que todo mal que existe no mundo.
Maior que todos os ventos contrários.
É maior porque é do bem.
E nisso, sim, acredito até o fim.
O destino da felicidade, me foi traçado no berço.
Nascemos com o livre-alvedrio (livre-arbítrio), então posso sentar e aproveitar esta viagem de montanha russa que é a vida...
Dream On...

Tadeu Silva. (Copyright2010 Todos os direitos reservados)

Ps. "Qualquer semelhança com fatos, pessoas ou ocorridos na vida real, é mera coincidência.
Pode ser coincidência ou deve ser coincidência ou vai saber se é coincidência?"

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

I Wanna Know What Love Is...


“O Amor é paciente, é benigno; não é invejoso, não trata com leviandade, não se ensoberbece, não se porta com indecência, não busca os seus interesses, não se irrita, não suspeita mal, não folga com a injustiça, mas folga com a verdade. Tudo tolera, tudo crê, tudo espera, tudo suporta. O Amor nunca falha” (I Coríntios 13:4-8a).

Amor é um destino feliz ao fim de um caminho difícil por uma estrada sem atalhos.
Amor é quando a esperança tem paciência.
Amor é colecionar detalhes.
Amor é quando a gente sonha acordado e só sabe que é verdade porque tem alguém ao lado sonhando o mesmo sonho que você.
Amor é querer pertencer ao outro, não por submissão ou posse, mas por entrega.
Amor é a cada dia que passa estar sempre mais perto do início do que do fim.
Amor é quando a solidão tem vontade de ser você.
Amor é encontrar alguém que reúna os seus defeitos preferidos.
Amor é ter sempre alguém na mente enquanto o corpo se esforça para fazer outras coisas.
Amor é convencer a outra a fazer o que será melhor para ela, nunca o que será melhor para você.
Amor é não desistir.
Amor é nunca se despedir, e isso não é não ter fim.
Amor é quando a ausência não se faz presente, pois de algum modo se está sempre ali.
Amor é quando ao deixar alguém você sente que deixou a você mesmo.
Amor é perceber que a sua felicidade é importante para o outro.
Amor é quando é simples de sentir, complicado de explicar e trabalhoso para se manter.
Amor é quando o seu espírito descobre um abrigo e não é o seu corpo.
Amor é não se contentar com pouco sem exigir mais do que o outro pode dar.
Amor é sentir a necessidade de ser sempre sincero.
Amor é quando dói mentir.
Amor é o infinito onde as paralelas do sentimento e do relacionamento deveriam, mas nem sempre se encontram.
Amor é o que se leva uma vida para acontecer e muitas outras para se esquecer.
Amor é um estado raro em que em alguns casos a felicidade supera a reciprocidade.
E chega o tempo em que finalmente se aceita que o verdadeiro amor não é aquele que necessariamente se concretizou de verdade; o amor da sua vida não é aquele que fica a vida toda por toda a sua vida; o amor que importa em sua existência é o que você sente por aquela só pessoa, por tanto tempo, anos e dias sem jamais pensar que desperdiçou um segundo sequer de sua vida.
Amor é escolher sentir saudade.
Amor é, por fim, o que só você entende.
"Quem inventou o amor?
Me explica por favor (...)"
Antes das seis - Legião Urbana
Tadeu Silva. (Copyright2010 Todos os direitos reservados)

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Indiferença é NADA....


Hoje acordei forte, centrado, intenso. Você já acordou assim? É saber que, aconteça o que acontecer, você continuará intenso, centrado e forte. Só consigo ver coisas boas nas coisas ruins quando acordo dessa maneira. Por que é tão difícil cultivar o amor-próprio? Você já achou que a sua vida só teria sentido se certo alguém existisse? E, depois que esse amor passou, você pensou "Como eu poderia ter pensado daquela maneira? Quem é essa pessoa pra mim hoje?". Sinceramente, o que falta nas pessoas é pé no chão, é realismo, é capacidade de desvincular sua vida de um outro ser. Tudo na vida é passageiro, exceto você. Você acompanhará você pro resto da sua existência. Quando você morrer, seu amor por alguém morre junto. Sua personalidade deixa de existir, só ficarão lembranças.
O melhor de amar demasiadamente é quando o amor acaba. É impressionante como, após uma desilusão amorosa, as pessoas tornam-se mais cautelosas. Mas, quando eu falo de desilusão amorosa, é desilusão amorosa mesmo. É chorar todos os dias (às vezes, penso que não chorar é ainda pior), é perder o apetite (ou ganhar), é não ter forças e nem coragem para fazer nada, é achar que a reconciliação vem por meio de um mero telefonema, Msn, sms, Orkut... etc, é achar que a força com que você ama será reconhecida e tudo ficará bem, é anular-se, é achar que o seu amanhã continuará inerte se você não tiver esse alguém ao seu lado, é achar que ninguém é importante se você não tiver a importância do alguém amado.
Se eu disser que isso tudo é passageiro, vocês acreditam? Bom... a crença vai depender do que vocês estão vivendo, fato. Se você não se encaixa nessa descrição, você não acredita em mim. Se você se encaixou nessa descrição, você acredita em mim. Quando tudo isso passa, você vê o quão você foi egoísta, o quão você deixou os outros tipos de amores de lado em favorecimento de apenas UM outro, que você julgava ser o mais importante. Viu o quanto todos esses pensamentos são egoístas? E o pior, com você mesmo. E o melhor (é, melhor), eu acho que todos devem passar por isso. Quando você se ergue, você volta mais forte, cauteloso, pé no chão, maduro. Não é que você se torne amargurado, você se torna experiente, é diferente, aprende a hora de fazer a coisa certa. Aprender a "jogar", digamos assim. Infelizmente, 99,9% das pessoas jogam. O famoso "ligar ou não no outro dia" passa pela cabeça de todo mundo. É do ser humano. Chama-se medo. É a única coisa que acho que nunca conseguirei entender: por que o ser humano não se apaixona por carinho, afeto, atenção? Repare, são apenas características de encatamento, as pessoas gostam mesmo é do diferente, do estranho. Cabe a você, saber ou não fazer o diferente. Daí, como saber o que é diferente pra outra pessoa? Por isso, amor é sorte. É loteria. Amor de envelhecer junto é loteria ( sei muito bem o que é isso, pois tenho o exemplo em casa, 61 anos de casamento dos meus pais.) Voltando... Mas é tão ruim você querer compartilhar e não poder. Você está ali ao lado, quer dar um abraço, dizer coisas bonitas e... prá, não pode, não diz. É, não diga mesmo. É a tradição, é a lei natural das coisas. O tempo que vai te dar segurança, enquanto isso, seja auto-confiante. É impressionante o quanto auto-confiança atrai as pessoas. É o famoso "gelo". Esse sim dita as regras. Agora, pergunto de novo, o por quê disso ter de acontecer? Dar gelo para calibrar a relação? Estranho! As coisas podiam ser mais fáceis, é, mas não são. Então, é enfrentar.
Agora, cuidado para não beirar a indiferença. Tem sentimento mais repugnante? Inveja e falsidade perdem é feio. Indiferença é NADA.De novo, Indiferença é NADA, mais uma vez, Indiferença é nada. Você não é nada pra mim. Já pensou se você não significasse nada? Isso é forte. Cultive o ódio, mas fuja de sentir-se indiferente a alguém. Mas é um pouco inevitável. Você tem de buscar a linha tênue entre a auto-confiança e a indiferença, pois ambas estão bem perto uma da outra. O ódio tem energia, te leva para o caminho do perdão. Mas a indiferença? Ela é morta, é simplesmente nada. Nada é NADA. Prevenir alguém "cuidado com a minha indiferença, não a cultive" pode parecer um pouco ameaçador e até prepotente, mas só quem sente é que sabe. E, a partir daí, não é ameaça nem prepotência, é desejo de que esse nada passe bem longe, pois, se ele chegar, acabou.


Tadeu Silva. (Copyright2010 Todos os direitos reservados)

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

O choro pode durar uma noite; mas a alegria vem pela manhã - Salmo 30


Cheguei ao mundo chorando.
Chorar foi a forma de provar que estava vivo.
Mas se esse meu primeiro choro alegrou aqueles que me amavam ainda sem me conhecer, meus choros seguintes, também de dor como o primeiro, podem incomodar aqueles que me amam por me conhecer.
Todo choro é de desespero, seja por não aguentar de dor, seja por não saber como lidar com tanta alegria.
Só que ninguém gosta de pessoas desesperadas.
Na infância chorava para que me notassem, me socorressem, mas na vida adulta isso não adianta muito.
Os amores não dão certo, as amizades passam por crises, as pessoas se afastam, e chorar nada resolve.
Dentre as vivências que me fizeram chorar, de alegria e de tristeza, guardo com carinho as lágrimas daquela amizade apaixonada.
Foram os melhores choros de felicidade, foram os mais merecidos choros de momentos não tão felizes assim.
Da perda, ficaram os choros solitários de saudade.
Choros daqueles que ninguém entende, ninguém apóia, ninguém consola.
Então, chega a hora de deixar de chorar.
Quando não se consegue o que se quer de um jeito é preciso mudar de jeito.
Sem chorar, sem as pirraças do coração fazerem efeito, aprendi a esperar, ao invés de chorar.
Não que um dia a saudade deixe de doer, mas, um dia, a gente cresce e aprende a chorar em silêncio.
E, muitas vezes, esperar e sentir esperança é um jeito de chorar em silêncio, sem que se note, sem que se veja, sem que se importem.
Não importa, chorar, mesmo que em silêncio, sempre será um jeito de provar que ainda se está vivo.
Tadeu Silva. (Copyright2010 Todos os direitos reservados)

sábado, 16 de janeiro de 2010

Assim será...


Eu acredito que os nossos caminhos não dependem somente de nós, não escolhemos as pessoas que passam nas nossas vidas.

Por tantas que eu já presenciei, aprendi que a lei do universo e a da espiritualidade nos coloca diante de pessoas e situações para o nosso aprendizado.

A Lei da Atração nos manda correndo os nossos afins, a vida nos dará de presente tudo aquilo que nós merecemos, seja bom ou ruim.
De que outra forma a justiça se faria?

Um velho ditado diz:

"Quem planta colhe" esse é um ditado que simplifica a lei do retorno.

Eu ainda acredito na lei trina (três vezes) tudo virá em triplo, pode acreditar.

Pode ter certeza que desta maneira aprenderemos muito, só estando na pele do outro para saber a felicidade que causamos ou infelizmente a tristeza que deixamos nos corações alheios.

Se a lição vem dessa forma, só nos resta prestar atenção nas nossas ações, vontades e intenções.

O nosso inferno ou o nosso céu é aqui mesmo... bem debaixo dos nossos pés.

Nós receberemos tudo o que fizemos de volta mais cedo ou mais tarde.

Abra os braços e receba com humildade, preste atenção e decifre o recado que a vida prepara para você a cada novo dia.

* Tudo o que você faz, seja positivo ou negativo, retorna para você três vezes mais. (Lei trina)

Tadeu Silva. (Copyright2010 Todos os direitos reservados)

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Precisamos alfabetizar os nossos corações

"Precisamos alfabetizar os nossos corações”, essa frase fez muito bem aos meus ouvidos, principalmente porque tudo o que eu tenho feito nos últimos anos é me dedicar à “Escola de Relacionamentos”.
A primeira escola de relacionamentos que tivemos foi em nossa infância, com nossos pais, com nossos professores. Mas, com toda a boa vontade deles, o modelo que nos ofereceram nem sempre foi dos melhores. Os conceitos em que se baseiam as nossas relações chegam a becos sem saída, cheios de contradições.
Exemplo disso é o ensinamento de que somos vítimas e que existiriam sempre carrascos ou em outras situações, salvadores, que determinariam os nossos destinos. O tempo todo você é levado a acreditar que o mal está sempre com os outros e que a culpa nunca é sua.
Se pensarmos em uma reeducação dos nossos sentimentos, para que nos tornemos pessoas mais felizes e humanas, talvez a primeira etapa seja a tomada de consciência de que somos, muito mais do que imaginamos, responsáveis por nós mesmos.
Sentindo-se vítima dos outros, quer seja da cia amorosa, da sociedade ou até mesmo do governo, você fica impotente e não encontra muitas saídas. Você culpa os seus pais, a falta de dinheiro, a falta de sorte, a maldade alheia. E reclamando, não sai do lugar.
Um outro ponto de vista - mais inteligente - é olhar para a realidade, aceitando-a tal como ela é. Se lhe acontecem coisas boas, você agradece, senão, procura entender o que pode aprender e fazer com a situação. Desta forma, sai da dependência, sentindo-se mais potente para dar um bom rumo à sua vida.
É preciso ter muita dignidade para assumir seus próprios erros, para sair da inércia, para progredir, apesar dos medos. O comum é a falta de coragem e a acomodação. O bonito é quando você arregaça as mangas e põe a mão na massa. Você para de acusar os outros e concentra toda sua energia para melhorar a vida.
Por isso, na próxima vez que você se pegar cobrando alguma coisa de alguém, lembre-se de que você também pode participar deste mutirão, desta escola de relacionamento, alfabetizando o seu coração para que ele possa colaborar com um mundo melhor.
Tadeu Silva. (Copyright2009 Todos os direitos reservados)

domingo, 27 de dezembro de 2009

Desilusão, desilusão...


Vejo sempre a mesma história.
Primeiro a pessoa some uns dias, umas horas, no mínimo.
Depois, aparece com algum nick poético no MSN, aquele sorriso no rosto, a pele maravilhosa, espalhando sua felicidade para o mundo inteiro.
Você pergunta o que aconteceu e descobre que a pessoa está namorando, enrolada, tá pegando, tá se relacionando com alguém.
Os mais corajosos, e que não temem perder os demais pretendentes, mudam logo o status no Orkut para "namorando", criam um álbum para o novo casal, informam pelo Twitter cada passo dos pombinhos (ninguém sente falta de quando os namoros eram apenas entre duas pessoas?) e os mais cautelosos, ou medrosos, continuam no "solteiro" ou "não há resposta".
Você pergunta quem é o novo elegido e a resposta é também sempre a mesma, "é uma pessoa muito especial. Eu sinto que vai ser diferente, que não é uma pessoa como as outras, é alguém muito bacana, acho que tô apaixonada (o)".
Você sorri e deseja sorte.
Passam-se alguns dias, geralmente varia entre cinco dias e um mês (para os mais persistentes), e sua amiga ou amigo volta a ser solteira (o).
"O que aconteceu?", você novamente pergunta.
A resposta, outra vez, não varia muito, "ah, ele não era tudo aquilo que eu pensava", e é dita por aquela pessoa antes apaixonada, agora decepcionada.
É, e é sempre culpa do outro nunca da própria pessoa.
Ele era muito grudento (ou você é escorregadia demais?),
Ele não retornava as ligações (dá tempo de retornar com você ligando a cada dois minutos?).
Éramos muito diferentes (já considerou se casar com seu espelho?).
Enfim, ele não era aquilo tudo (ou você quer do outro o que ele não pode ser? Se você busca salgado na loja de doces o erro é seu, só seu! Entendeu?).
Agora, vamos lá.
Deita aí no divã (Eu devia ter feito psicologia rs...).
Não era tudo aquilo?
Você se decepcionou?
Sabe quando a gente tem uma desilusão?
Quando a gente se ilude, quando a gente troca o conhecer pelo se iludir, por criar expectativas e projetar no outro o que nós queremos.
Sinto lhe informar, mas, você definitivamente não estava apaixonada por este ilustre ser desconhecido que você elegeu em uma semana ao posto de amor da sua vida.
Você estava, simplesmente, apaixonada pela sua projeção, pela parcela de você que viu no outro (aquilo que chamamos de "coincidências", "alma gêmeas" no começo da relação e no final damos o nome de "pé no saco") e estava apaixonada também pelo começo da relação com este outro alguém.
Não há como gostar do que não conhecemos.
De novo, "não há como gostar do que não conhecemos", mais uma vez, "não há como gostar do que não conhecemos".
Só você: "não há como gostar do que não conhecemos".
Todo mundo: "não há como gostar do que não conhecemos"!
Como é mesmo o início de uma relação?
Amor, amor, e mais amor, físico e espiritual.
Se você conhecer alguém que já no começo não faça você se sentir nas nuvens, corra porque é o capeta disfarçado de gente!
É como aconselhava minha sabia avó: quando você quer matar a galinha, você não fala "xô", você chama ela bem bonitinho, carinhosamente, e somente depois dela acreditar em você é que você quebra o pescoço dela, depena, joga na panela e come!
Então, no começo, queridíssima, todo mundo vai se mostrar como o ser mais apaixonante do mundo, chama-se cortejo esse processo e existe até entre os animais não racionais (imagina entre os racionais).
Depois da conquista, aí sim, chega a hora de conhecer aquela pessoa "muito especial".
Será que vocês combinam?
Será que você suporta essa pessoa antes e depois do sexo?
Vale ter alguém o resto da vida por alguns minutos de prazer?
E muitos outros "será?" que virão.
Depois de conhecer você finalmente poderá se apaixonar por aquela pessoa e não pelo começo apaixonante de qualquer relação, captou?
Então, fique com quem você ama, apesar de tudo, por tudo, acima de tudo.
Caso contrario, não será amor, será apenas alguém, no caso você, usando alguém para se sentir bem, para se sentir melhor (ou um troféu para exibir para os outros?), e isso se chama egoísmo, não namoro, não amor.
Não seja alguém tão carente assim, pô!!!
É difícil saber disso tudo, porém precisamos continuar tentando.
Eu não caio mais nessas!
Mas, agora que você acabou de ler meu texto, pare pra pensar na seguinte frase que marcou muito o meu 2009:
"Cuide de tudo o que for verdadeiro. E deixe o que não for passar"

Tadeu Silva. (Copyright2009 Todos os direitos reservados)

sábado, 19 de dezembro de 2009

I Like...


Eu aprendi a gostar de escrever (ponto).
Gosto de escrever sobre mim, sobre o mundo, a vida e as pessoas.
Gosto de dissertar sobre o que é, como foi e o que poderá vir a ser.
Gosto de andar pela Terra do Nunca, a fantasiar sobre a vida perfeita, sabendo, na minha qualidade de adulto, que nunca se alcança a perfeição, mas que podemos aspirar chegar perto. Mas por vezes também preciso escrever sobre os momentos menos bons, porque é humano ter momentos menos felizes, porque a vida nos confronta e afronta constantemente.
Nos testa, nos põe à prova.
Porque eu sou tão humano como todos, ainda que aqui seja apenas palavras sem nome.
Por isso gostaria de dedicar uma palavra aos que me seguem, aos que me leem, aos amigos (as) que conhecem a pessoa por trás das palavras…
Eu estou bem.
Se por vezes a escrita me sai mais cinzenta e menos azul, se por vezes o coração aperta ou uma lágrima foge…
Não é mal.
É sinal que estou vivo, que respiro cada dia, que o vivo intensamente e não me impeço de sentir. E não são apenas palavras as conclusões desses textos menos felizes, não é conformismo querer ver um lado bom em tudo.
É antes otimismo.
Porque há realmente fatores externos à nossa vontade de sorrir, que não podemos alterar, que não está nas nossas mãos mudar.
Não podemos impedir que alguém ou nós próprios fiquemos doentes.
Podemos zelar para que isso não aconteça mas se acontecer, o que fazer?
Não podemos obrigar ninguém a gostar da gente.
Se não gostar, o que fazer?
E não podemos impedir a morte porque é parte da vida como a conhecemos.
É mais uma etapa para a qual ainda não conseguimos estar preparados.
Apesar de sermos seres em constante evolução, ainda não conseguimos compreende-la, aceitá-la como uma passagem para outro estágio qualquer que desconhecemos…
Talvez por isso seja tão mais difícil aceitar.
Mas se ela nos bate à porta, o que fazer?
Não são os momentos tristes que nos fazem menos alegres, que nos podam a vontade de sorrir, de aproveitar os dias, de sonhar.
Não são estes momentos que nos fazem piores pessoas.
Chorar não é fraqueza, sofrer não é pobreza de espírito.
É ser humano, é sentir, é viver.
Não é o que nos acontece que importa mas sim o que fazemos com isso, como lidamos com as situações, o que aprendemos com a dor.
E isto é inteiramente o que penso:
Tudo na vida nos ajuda a crescer e a ser melhores, se soubermos sofrer no momento certo para depois continuar a viagem.
Eu não ando triste nem tive nenhum decepção amorosa, como por vezes é tão mais fácil pensar. Quando falo aqui de dor, falo de coisas tão mais profundas, de perdas tão mais definitivas.
Falo de, de saudades, de família, de distância, de palavras caladas que fariam tão melhor se ouvidas.
Falo de perdas que superamos, mas que nunca nos deixam porque são pessoas grandes demais na nossa vida, porque são as nossas raízes.
Mas não deixo de viver ou de sorrir.
Não deixo de ser otimista e nunca conformista!
Apenas considero que devemos aceitar o que não pode ser mudado por ação humana e dedicar esforços a tudo o resto e, sobretudo, a aproveitar os nossos dias e a tentar tornar melhores, os dias de quem continua ao nosso lado, de quem nos dá a mão quando tropeçamos, de quem nos ouve quando queremos falar ou fica ao nosso lado, em silêncio, quando é disso que precisamos.
A todos esses, obrigado.
A perda do meu irmão há 6 anos, fez-me perceber que não somos imortais, que não dispomos de todo o tempo.
Que hoje é o momento para fazer e dizer tudo o que sentimos porque depois pode nunca chegar a existir.
Fez-me abrir mais o coração e soltar mais palavras de carinho.
Não, não sou ingênuo.
Sempre soube que ninguém dura para sempre.
Já perdi amigas (os) e conhecidos (as), já ficaram coisas por dizer nessas alturas mas, não se enganem os que julgam que é da mesma dor que falamos ou que os silêncios terão o mesmo peso.
E por isso, neste blog, meu cantinho de sonhos e desabafos, quero dizer à minha família e as amizades verdadeiras, que os amo e que estou grato por eles fazerem parte da minha vida.
Sejam felizes…
Só hoje importa.
Bom final de semana!
Tadeu Silva. (Copyright2009 Todos os direitos reservados)

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Can't get it....


Não dá para entender aquele olhar que desvia, aquele olhar que não vê, aquele cara a cara de caras que não se encaram.
Não dá para entender aquela pessoa que foge do lugar onde sempre sonhou estar para ir parar onde não quer.
Não dá para entender quem deixa de amar com medo de sofrer e acaba sofrendo, provocando em si a dor que tanto temia.
Não dá para entender quem aproxima e depois some, quem promete mudar, mas sempre cumpre não modificando nada.
Não dá para entender falas tão distantes de ações.
Não dá para entender pessoas que temem tanto serem "certinhas" e se tornam tão "erradinhas".
Não dá para entender como alguém que amamos tanto nos mágoa na mesma proporção.
Não dá para entender como um sorriso nos faz esquecer de tudo que sofremos para tentar de novo.
Não dá para entender pessoas que querem tudo e não fazem nada para ter.
Não dá para entender pessoas que tem e não dão valor.
Não dá para entender quem dá mil chances para desconhecidos, mas não dá uma chance para quem a ama.
Não dá para entender quem quer alguém igual e não faz o favor de se casar com o próprio espelho.
Não dá para entender quem espera alguém que "encaixe" e não namora um balde de Lego.
Não dá para entender quem deseja que o amor seja só sorrisos e não se apaixona por um boneco Playmobil.
Não dá para entender quem não se entende e parece se orgulhar disso.
Não dá para entender aquela pessoa que você sabe que gosta de você, mas está com outro alguém por comodismo (ou seria covardia?).
Não dá para entender quem sente saudade e prefere a distância.
Não dá para entender quem nos coloca em um banquinho: não senta, não levanta e não permite que outra sente ao nosso lado (muito menos nos avisa que a tinta ainda não havia secado, nos deixando marcas eternas).
Não dá para entender tanta coisa...
Não dá para entender quem não se torna seu amor porque você é um amigo (tinha que ser inimigo, então? Comece a tratar mal quem você ama, não escute, não ajude, não fale, não seja companheiro, não incentive, aí sim você pode passar a ter qualidades valorizáveis para ser namorado e não amigo).
Não dá para entender aquela pessoa que não te ama, que não quer nem te ter, nem te perder.
Não dá para entender quem nunca queria magoar, mas sempre magoa quem não queria (ou merecia) ser magoado.
Não dá para entender um ser humano, um ser racional, que deveria controlar os seus atos, mas, ao contrário, deixa que seus atos o controlem.
Não dá para entender aquele amor da sua vida que está em todo lugar, menos na sua vida.
Não dá para entender o amor, seja ele correspondido, não correspondido, ou o escambal.
Não dá para entender o amor porque ele não pode ser entendido, é sentimento, não é razão.
Não dá para entender o que mais?


Tadeu Silva. (Copyright2009 Todos os direitos reservados)

sábado, 5 de dezembro de 2009

Bem-vindo à Fantástica Loja de Conveniências...


Bem-vindo à Fantástica Loja de Conveniências.
Alguns tentam chamá-la de Planeta Terra, eu chamo de hipocrisia e falsidade.
Tem gente que passa a vida tentando agradar a todos e se esquece de que ser odiado por determinados tipos de pessoas é um dever cívico e moral.
Mas, voltando às vendas... nessa loja de conveniências tem fantasias para todos os gostos, entre e escolha a sua, vista sua máscara, mas escolha bem, pegue algo que você possa manter até o final, o preço pode sair mais caro do que imagina, ainda que alguns paguem com o corpo ou com a falta de caráter.
Além disso dói bastante quando a máscara da ilusão desprega do rosto.
Nessa loja estão aqueles cantores que você diz que ama naquela roda de pessoas cult, mas no fundo odeia e não tolera mais do que uma canção.
Estão os livros que você comprou, colocou na estante e nunca leu, e também os filmes que você arrumou algo mais acéfalo para fazer do que assistir, mas ainda assim diz que adora!
Tem também espaço para tudo aquilo que você de fato gosta, mas esconde com medo de não ser aprovado.
Debaixo do tapete, na porta de entrada, estão as pessoas que você pisou em cima para chegar aonde acha que chegou, os amigos que você esqueceu no primeiro momento em que encontrou alguém mais agradável (ou conveniente).
E aquele seu sonho antigo de mudar o mundo. Sim, você queria mudar o mundo um dia, acredita?
É, mas escolheu deixar de ser herói, para se tornar um dos que motivam os outros a quererem mudar o mundo.
Há um departamento de desculpas esfarrapadas, outro de não assumir os erros, e um livro com sugestões de nicks para você colocar no seu MSN tudo aquilo que a falta de argumentos te impede de dizer na cara para alguém.
Desfilando na prateleira de descartáveis, estão os namorados que você apresenta, sem dizer o nome (isso se não for tão conhecido), basta apenas citar a gorda conta bancária, o modelo do carro, a quantidade de diplomas e, pronto, já está apresentado!
Na mesma prateleira ao lado estão as namoradas, lindas, maravilhosas e pelo preço de algumas garrafas de champagne estão com você, mas não se iluda. São meramente descartáveis e tem o prazo de validade até você cansar de explicar que não é correto falar: "nois vai, nois foi", "estrupo", "celebro", "plobrema", "menas"... e sentir saudades daquela moça na qual você conversaria por horas e horas cuja a maior beleza estava no coração, aonde realmente importa.
Vamos lá, vá enchendo o carrinho!
Num estão plaquinhas para camuflar a verdade, por exemplo: rivalidade e inveja podem ser trocadas por "amizade";
Suportar alguém por interesse pode ser maquiado por "amor incondicional";
Ridicularizar quem você queria ser e não pode chama "bom humor";
Humilhar quem não tem dinheiro chama "não tenho culpa, o mundo sempre foi assim";
Criticar o outro e jurar não ser igual é o famoso "genérico";
Não ter educação e ser grosso é facilmente trocado por "autenticidade/sinceridade" (ou TPM se você for mulher);
Não confiar no outro está na embalagem da "privacidade";
Não ter coragem pra sair de uma relação doentia é embrulhado de "perdão";
Fugir do assunto chama "offline"; não se importar com o outro é chamado de "ocupado demais";
E mentira ganha o nome de... bom, de mentira mesmo, o substituto anda em falta no estoque, desculpe!
Essa loja de conveniências é altamente frequentada, veja só, por pessoas que não buscam a sinceridade, não buscam sentimentos, mas o que é mais conveniente no momento.
Isso é muito importante, o "no momento", porque amanhã tudo pode mudar.
O melhor amigo de hoje vira o pior inimigo de amanhã, o chefe cobra de hoje ganha presentinhos amanhã, e assim, sucessivamente, trocam-se os títulos.
Tem quem compra, tem quem vende, tem quem troca, e é tudo da mesma raça ruim.
Se você andou ou anda frequentando essa loja arrume logo algo melhor para gastar seu tempo e dinheiro.
Ter um coração grande dentro do peito também pode aumentar seu peitoral sarado, moço, ou diminuir a necessidade de mais silicone, moça.

Por favor, não se contente com a mediocridade, se esforce!


Tadeu Silva. (Copyright2009 Todos os direitos reservados)

sábado, 28 de novembro de 2009

Carta para o Papai Noel

Igual a todo ano, preparei os enfeites, limpei a sala e montei a árvore de Natal.
Coloquei cada galho em seu lugar, numa plástica artificialidade que imita com tanta perfeição o natural, como aqueles amores que pensei serem eternos e duraram menos de uma semana.
São os amores que foram, é o amor que ficou.

Enrolei fitas douradas na árvore, como quem se enfeita para encontrar a amante.
Coloquei lá no alto a maior e mais brilhante estrela que encontrei, como quem prioriza sempre a quem ama.
Olhei para a minha árvore de Natal, não era a melhor do mundo, mas no mundo era a única que era minha de fato, de posse e de criação.
Coloquei minha meia na janela e pedi com toda as forças ao Papai Noel:
"eu quero o amor da minha vida de presente".
Este ano eu comi toda a comida, fiz meu dever de casa, obedeci meus pais, e ajudei algumas velhinhas a atravessar a rua, portanto, eu tenho o direito de ganhar o amor da minha vida! Terminei a ceia rapidamente quando ouvi ao sino das renas do Papai Noel.
O barulho delas até parece o toque do meu celular que deixou de tocar por todas as vezes que você não ligou.
Corri para a janela e não tinha nada na minha meia, estava vazia!
Uma meia vazia de amor como presente a um coração tão cheio de amor.
Não é justo.
Sentei na janela e gritei:
"Por quê, Papai Noel?
Por quê?
Cadê o amor da minha vida?
Eu fiz tudo e não ganhei, por quê?".
Foi quando desceu o bom velhinho e parou ao meu lado.
Olhei para aquele homem tão idoso, tão sábio, tão amável.
Ele me abraçou, sorriu e disse:
"Meu filho, você ainda precisa aprender muito sobre o amor.
Não basta ser capaz de amar e disso eu sei que você é capaz.
O amor da sua vida vai chegar, ele virá, e ela vai te amar".
Retruquei:
"Eu cansei de esperar, Papai Noel. Por que eu amo, me dedico e não tenho um amor?".
Ele sorriu como quem chora e me respondeu:
"Você está no caminho certo.
Vou tentar explicar assim: o amor é que nem a brincadeira do amigo secreto.
Você pega um nome entre vários em um saquinho, você sabe a quem você tirou, você sabe a quem tem que se entregar, você compra o melhor presente, faz o melhor embrulho, e dá o melhor de si, sem ao menos saber se ganhará algo à altura, sem ao menos saber quem te tirou.
É que o principal não é ganhar, é dar o seu melhor sem se preocupar com o que vai receber, mas confiando cegamente que vai receber.
O amor é assim também.
Quando você deixar de se preocupar com quando vai ganhar, com o que vai ganhar, você vai ganhar e não será pouco, se tiver dado o seu melhor como presente a quem você ama".
Ele falou e sumiu, como quem sempre esteve ali, mas nunca existiu.
Feliz Natal!
Feliz Amor!

"Amor é prêmio.
Recompensa feliz para quem - afinal de contas - conseguiu manter-se fiel a si mesmo"

Tadeu Silva. (Copyright2009 Todos os direitos reservados)